A SPFW N61, que aconteceu de 13 a 18 de outubro, fechou o ciclo de comemoração dos 30 anos do evento, com 26 desfiles entre o Pavilhão das Culturas Brasileiras e endereços espalhados por São Paulo. A organização descreveu o line-up como um encontro entre "diferentes gerações e territórios criativos": ao lado de nomes como João Pimenta e Alexandre Herchcovitch, desfilaram mineiros como Ronaldo Fraga e Apartamento 03, e marcas vindas do calendário carioca, como Aluf e Hisha. Mas o dado que mais me interessou não foi quem estava na lista. Foi quem não estava.

Lino Villaventura, nome fixo no calendário da SPFW há décadas, não apareceu na programação desta edição... pela primeira vez em 60 edições consecutivas do evento. Não houve anúncio, não houve despedida pomposa. Apenas um nome que, depois de décadas, decidiu não estar lá.

Numa indústria que trata presença como prova de relevância, essa ausência diz o contrário do que parece dizer. Ela não é sinal de esquecimento. É sinal de que a relevância de Lino Villaventura não depende de aparecer toda estação. Trinta anos de trabalho consistente constroem um nome que continua presente mesmo fora da passarela, porque o que ele representa já não precisa ser reafirmado a cada desfile.

É esse o tipo de permanência que a Vama persegue. Não a visibilidade constante, mas a construção de um vocabulário próprio que resiste mesmo quando a gente não está no centro da conversa. Uma marca autoral não existe só enquanto está sendo vista. Ela existe porque, quando reaparece, ainda é reconhecível.

A SPFW tentou, com essa edição, redistribuir o centro: trazer o Nordeste, Minas e o Rio para dividir o palco que sempre foi de São Paulo. É um movimento correto e necessário. Mas talvez a lição mais honesta desta edição não esteja em quem ocupou o espaço... esteja em quem, com a autoridade de décadas, escolheu não precisar dele.

A pergunta que fica: o que, na sua marca ou na sua forma de se vestir, já é forte o bastante para sobreviver a uma ausência?