Enquanto eu montava essa matéria, três marcas que eu nem imaginava que dialogariam entre si me lembram do óbvio: o que dura não precisa ser inventado de novo, precisa ser bem cuidado.

Nesta temporada, a Celine trouxe de volta o Frestyle Lo, tênis de 1982 da Reebok, reeditado em oito cores. A Repetto lançou a terceira parceria com Yohji Yamamoto, reinterpretando Bolchoï (sapatilha que por si mesma é um clássico) em vermelho-cereja e prata. A Givenchy, sob comando de Sarah Burton, relançou sua bota Shark Pinch em seis versões. E a Van Cleef & Arpels vestiu o colar Alhambra, criado em 1968, de esmalte rosa.

Nenhuma dessas marcas lançou algo "novo". Todas escolheram voltar. Isso não é falta de criatividade. É maturidade.Numa indústria acostumada a vender novidade como sinônimo de valor, essas marcas apostaram no oposto: reafirmar que uma peça bem desenhada não perde relevância, ela na verdade acumula significado. O que muda é a cor, o momento e quem usa. 

É esse raciocínio que sustenta a Vama desde o primeiro corte de tecido. Não desenhamos pensando na coleção que vem depois, desenhamos pensando na peça que ainda vai fazer sentido daqui cinco estações. Quando uma casa do tamanho da Givenchy decide não reinventar sua bota, mas cuidar dela, está confirmando algo que a moda autoral já sabe: o clássico não é o oposto de criação. É resultado dela, depois que já provou que funciona. 

A pergunta que fica não é "o que vai ser tendência?". É: o que, no seu guarda-roupa, já merece ser tratado como um clássico, mesmo que ninguém tenha chamado assim ainda?